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A cultura de bar do Jacarezinho

05/08/2011

Por:  Rafael Nunes

Boa parte dos meus amigos de copo rejeitariam de primeira a um convite para uma cervejinha dentro da segunda maior favela da América Latina. Pensariam que talvez “cervejinha” fosse uma mera formalidade ou um código secreto, pois o que estaria por trás seria o uso de substâncias nada liquidas. Pelo menos então algum tipo de falcatruagem deveria estar envolvido, afinal ninguém entra num lugar tenebroso desses se não estiver com alguma boa vantagem. Ou então simplesmente pensariam o que na verdade se pensa: – Que o anfitrião não goza mais de sanidade e se tornou um potencial suicida.  Bom, nada mais disseminado e igualmente tão errado em tudo isso! Em primeiro lugar minha cabeça está muito boa e o que me compete a fazer é prestar todo o meu pesar à ignorância de um grande setor de massas, em especial a classe média paralisada. Que apesar do nível cultural e acadêmico, conseguiu canalizar todas as suas insatisfações e frustrações, pessoais e coletivas, para a mesmice dos cotidianos televisivos, dos shoppings, dos conturbados relacionamentos familiares ou dos sedativos farmacêuticos. Esqueceu o que se passa para além dos muros de seus condomínios e perpetuou assim suas indiferenças pós-modernas, com o carimbo da chancelaria da famosa cultura dominante por detrás que, afinal de contas, se prestou em décadas para cumprir o desserviço da construção da criminalização da maioria da população e de disseminação dos preconceitos nessas comunidades e favelas carentes.

Voltamos ao assunto tema, muito mais agradável e prazeroso. Lá dentro do Jaca temos a famosa Praça da Concórdia, em resumo, a cada quinze dias ocorre uma intervenção cultural da nossa ANF, Agência de Notícias das Favelas, chamado REP – Ritmo e Poesia onde poetas, MCs, sambistas e versadores soltam a voz, tudo sob a maestria de Rumba Gabriel. Por esse local encontramos alguns botecos com suas especialidades. Churrasco profissional servido em prato, cerveja litrão a preço de bebedeira, cachaças de todos os sabores e misturas aromáticas e muito papo bom. Saindo para dar uma volta em companhia do nosso Barbeirinho do Jacarezinho, que lá dentro não gosta de ficar parado, vamos percebendo que o Jaca tem uma cultura de bar imponente. Não se anda muito para cairmos no seio etílico de um bom botequim onde se prima os encontros de compositores de samba e partido alto. Verdadeiros versadores de raciocínio rápido que no linguajar local, “botam pra f.” Dali em pouco tempo sambas são costurados, iniciados e terminados como na velocidade de uma conversa do cotidiano. É tão tradicional que ainda podemos ver alguns poucos espertos, que parecem viajar da década de 30 para nossos tempos atuais, se atreverem a apropriar-se de um verso solto de um poeta descuidado.

Quando começa a cair o entusiasmo pulamos para outro bar, um boteco tão aconchegante que não há outro modo de chamar que não seja de Toca. A famosa Toca do Urubu que apesar do nome conserva o escudo dos principais times do Rio e o América em suas paredes. Lá encontramos os compositores da Escola de Samba do Jacarezinho misturado com os rubro negros, vascaínos, botafoguenses e tricolores. Uma salada de frutas que se imortaliza numa camisa artística de todos os times com o nome do estabelecimento. Para comemorar um bom encontro, um puxador da escola, extremamente parceiro, aproveita a presença do nosso Barbeirinho e relembra com timbre de alto e bom som os melhores sambas enredos por eles criados. Pedimos depois de intensa festa licença e vamos caminhando por mais um, dois, três e perdendo a conta dos bares que vamos nos acomodando entre sardinhas fritas, cervejas geladas.

Algumas horas depois de uma maratona, tipo “Jacaré Botequim”, pra botar inveja em qualquer outro circuito urbano do Rio, voltamos para a nossa Praça da Concórdia e comemoramos por estar vivendo, aprendendo, criando e, principalmente, cultivando amizades e liberdades.

Manifestantes protestam no Rio durante o sorteio da Copa

04/08/2011
Movimentos sociais denunciam violência contra o povo pobre por causa da Copa e das Olímpiadas
Rafael Nunes
Fotos Noel e Rafael Nunes
Detalhe do protesto no Rio

• No dia 30 de Julho, os movimentos populares do Rio de Janeiro deram um passo muito importante ao tomarem as ruas da cidade. Há exatamente dois meses, o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, da qual fazem parte o PSTU, CSP-Conlutas e ANEL, começou a preparação de um ato que denunciasse todas as barbáries que estão sendo cometidas pelos governos, contra a população pobre, com a vinda dos mega eventos.

Não estamos falando apenas da quantidade enorme de desvios de verbas com as obras dos grandes estádios, estradas e aeroportos, recursos esses que poderiam estar sendo investidos nas melhorias das condições básicas de milhões de brasileiros. Nem apenas do Maracanã, que está sendo completamente destruído para dar lugar a um estádio com menos lugares e mais elitizado, onde os pobres também não terão mais acesso, mas de uma brutal criminalização da pobreza que remove, agride e mata todos os dias em nosso país e que se acentuou com o advento dos mega eventos.

Esse dia, que era de festa para os governantes e empresários, já que teria o sorteio das eliminatórias para a Copa do Mundo e valeu a doação de R$ 30 milhões dos cofres públicos (do governo e município do Rio) para empresas controladas pela Globo para organizar o evento, acabou sendo marcado por um dia de protestos em várias frentes do Comitê.

Centenas de pessoas saíram em passeata do Largo do Machado até o local onde era organizado o sorteio, na Marina da Glória. A grande maioria do ato, formado por comunidades e favelas atingidas pelas obras de infraestrutura dos jogos e pela política de segurança dos governos, denunciaram as remoções, a militarização e toda a criminalização da pobreza que vitima milhares de jovens todos os anos.

A CSP-Conlutas, através do setorial de movimento popular, levou uma enorme faixa dizendo “não à criminalização da pobreza, dos movimentos sociais e das lutas”. No início da passeata a Frente Nacional de Torcedores carregava bandeiras e faixas exigindo a saída do presidente corrupto da CBF, Ricardo Teixeira. Uma enorme faixa do PSTU também chamava a saída do corrupto e denunciava os ataques do governador do Rio, Sérgio Cabral, aos trabalhadores. Os profissionais em educação, que estão construindo uma vitoriosa greve, levaram faixas, cartazes, apitos e se somaram às atividades denunciando que os ataques do Governo do Rio, também eram contra o funcionalismo público.

No final do ato, foi encaminhada uma carta de exigências e princípios aos organizadores do evento e uma bola gigante que simbolizava, através de mensagens escritas e assinadas, que essa Copa não é nossa.

Agora o passo seguinte é organizarmos as jornadas de luta de Agosto com o apoio dos movimentos populares culminando com a marcha em Brasília no dia 24 e preparar o ato do Grito dos Excluídos para o dia 7 de Setembro.

Você pensa que essa Copa é nossa? Ato dia 30 de Julho no RJ

25/07/2011

Essa Copa é da Fifa e CBF junto com os governos e empreiteiras. Todos levando enormes quantias de dinheiro público, do povo, para bem longe do que deveria ser gasto. Enquanto isso o povo sofre sem aumentos de salários, sem saúde e educação de qualidade. Nas favelas o que sempre resta é a militarização, a violência e a remoção por parte do estado. Não teremos acessos aos estádios e ao lazer e o que nos restará será acompanhar os jogos pela T.V, enquanto os políticos e magnatas, muitos corruptos, sentarão nas tribunas dos estádios bilionários.

Quando a Copa passar alguns poucos privilegiados estarão mais ricos e, como ocorreu na África e na Grécia, para a população, principalmente a pobre, sobrará crise econômica, arrocho salarial e os duros ataques de todos os dias.

Estaremos no sorteio das chaves da Copa, no próximo dia 30 de Julho, Sábado denunciando que essa Copa não é nossa. Participem também dessa mobilização junto aos Movimentos populares e de luta no RJ

Dia 30 de Julho, Sábado, 10 h no Lgo do Machado

Quinta, dia 16 de Junho, todos à ALERJ pelos bombeiros, educadores, profissionais da saúde, etc.

14/06/2011

Domingo Rio de Janeiro presenciou um momento histórico. Que pra muitos lembrou as antigas passeatas das Diretas Já. Os Bombeiros cariocas frente a mais uma injustiça do Ditador do Rio – Sérgio Cabral – colocaram fogo na consciência da população carioca e pediram socorro. Socorro esse que foi prontamente atendido. A praia de Copacabana virou uma verdadeira Tisunami vermelha onde 50 mil pessoas se vestiram de vermelho e gritaram p…alavras de ordem pedido mais respeito a classe trabalhadora do estado; bombeiros, professores, servidores federais, da saúde, entre outros.

Todos já sabemos o quanto os Governos do Estado do Rio de Janeiro e Município têm atacado os serviços públicos, e os servidores com uma forte onda de cortes de direitos, sucateamento dos serviços prestados, com servidores tendo a função de trabalharem por dez, já que eles devem responder a sociedade a falta de concursos públicos e contratações que o Governador e o Prefeito não fazem, e todo este projeto de banalização e vandalismo para o serviço público, como o objetivo de justificar a privatização.

Precisamos de todos ato unificado entre Bombeiros, Educação e Servisores Publicos Federais com concentração às 14h00min horas na Alerj.

Ignorando aliados e PMs, Cabral queria prender Bombeiros no Riocentro e Maracanazinho

14/06/2011

Ignorando aliados e PMs, Cabral queria prender Bombeiros no Riocentro e Maracanazinho

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net

Leia mais artigos no site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão


Exclusivo – Os computadores do Palácio Guanabara foram inundados, semana passada, por mais de um milhão de e-mails. A quase totalidade com violentos ataques ao político Sérgio Cabral. As mensagens criticaram a posição despótica do governador do Rio de Janeiro contra 439 Bombeiros Militares – que ficaram presos uma semana, sob acusação de motim, depois de classificados como “vândalos” por Cabralzinho, que sofreu o maior de seus desgastes políticos e não poderá mais sonhar com uma eventual candidatura a vice-presidente da República, na provável chapa de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-presidente telefonou duas vezes para Cabral, advertindo-o dos perigos causados à própria imagem pelos ataques violentos aos bombeiros – sempre considerados heróis no imaginário coletivo. Cabral se queimou com Lula, porque não deu bola para os conselhos dados. Cabral recebeu ligações da Presidenta Dilma, advertindo que a greve dos bombeiros lhe causava um perigoso desgaste. Também não ligou para o que Dilma falou, até que recebeu outro telefonema, este em tom menos brando, do chefão do PMDB, o vice-Presidente Michel Temer, avisando-o que sua situação política é gravíssima. Cabral foi alvo de protestos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Anistia Internacional.

O desgaste público de Cabral teia sido ainda maior se ele não tivesse ouvido, pelo menos, alguns Oficiais da Polícia Militar que o assessoram diretamente. No primeiro momento, Sérgio Cabral montou um esquema com seu aliado Eduardo Paes, para dar uma punição exemplar aos bombeiros revoltosos por melhores salários. Cabral desejava prendê-los no Riocentro (o complexo de exposições e eventos da Prefeitura do Rio de Janeiro). A ideia de transformar o local em “campo de concentração” teve o apoio do prefeito Paes – que prometeu até a logística de um caminhão onde se faria comida para os presos. Por sorte de Cabral, a ideia foi abortada pela cúpula da PM, que lhe lembrou da associação do Riocentro com o triste episódio da bomba que explodiu e matou um sargento do Exército, no show musical de 1º de maio de 1981.

Demovido da ideia nazista do Riocentro, Cabralzinho formulou outra opção também fascista. Prenderia os Bombeiros no Ginásio Gilberto Cardoso, o Maracanazinho. Desta vez, os oficiais da Polícia Militar foram ainda mais incisivos com o Governador Fluminense – que é torcedor doente do Vasco. Os PMs garantiram que não haveria logística nem homens suficientes para dar conta da transformação de um estádio em prisão. Os PMs também tentaram contemporizar com Cabral – que acabou cedendo – porque a cúpula de Coronéis dos Bombeiros também estava insatisfeita e a ponto de “aderir ao movimento”, o que ampliaria o caos.

Cabral apagou o fogo de revolta da cúpula, devolvendo-lhes o status de poder. Recriou a Secretaria de Defesa Civil – tirando os Bombeiros do vexame institucional de terem se transformado em uma mera subsecretaria da área da Saúde. O reajustezinho salarial de 5,58% dado aos Bombeiros, extensivo a Policiais Militares, Civis e Agentes Penitenciários, também não surtiu efeito político. O desgaste de Cabral é insustentável, e deve se tornar público na divulgação das próximas pesquisas de opinião sobre o desempenho dos governos estaduais.

A população do Rio de Janeiro se solidarizou com os Bombeiros. Basta ver a quantidade de carros desfraldando fitinhas vermelhas – símbolo da luta dos Bombeiros. Ontem, o governador ordenou à PM que divulgasse que “apenas” 26 mil pessoas tenham participado das manifestações pró-bombeiros na Orla de Copacabana. Até policiais militares do 13º BPM (Praça Tiradentes) vieram à passeata dos bombeiros na Praia de Copacabana. Estavam vestidos com uma camisa azul em que havia escrito “PM no local”. Por outro lado, bombeiros e simpatizantes vestem vermelho.

A cantora Alcione, madrinha do Corpo dos Bombeiros, se juntou aos manifestantes, vestida com uma camisa da corporação. Ela disse que a invasão do quartel na semana passada foi um momento onde todos estavam com a cabeça quente. A cantora se declarou solidária na luta pela anistia penal dos 439 detidos por participar da invasão. Alcione chegou a comentar que o governador Sergio Cabral era um homem sensível e vai rever a situação dos militares, dando um aumento salarial justo.

Cabral ontem fez pirotecnia para tentar conter o impacto negativo da denúncia do jornal O Globo, de que, em maio, o comando do Corpo de Bombeiros do Rio autorizou uso de recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) para pagamento de cerca de R$ 694 mil em diárias de viagens internacionais. Os beneficiados foram 33 tenentes-coronéis e 42 capitães inscritos no Curso Superior de Bombeiro Militar (CSBM) e no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO). Com medo da repercussão negativa da notícia, o governador prometeu enviar hoje uma mensagem à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) modificando a destinação Funesbom e determinando que 30% deles sejam utilizados para pagamento de gratificações aos bombeiros. Em 2010, o fundo arrecadou cerca de R$ 110 milhões.

Vida que segue… Ave atque Vale! Fiquem com Deus.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.


© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 13 de Junho de 2011.

Ato por uma defensoria comprometida com a vida e com a dignidade humana

10/05/2011

10/05/2011

por defensoriapopular

ATO POR UMA DEFENSORIA COMPROMETIDA COM A VIDA E COM A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

11/05 – 10h – Vigília (24 horas)

12/05 – 10h – Ato público

Local: Sede da Defensoria Pública – Avenida Marechal Câmara, 314 – Centro – Rio de Janeiro – RJ

A cidade do Rio de Janeiro passa por momento único em sua história com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Este momento, marcado por grandes intervenções urbanísticas que visam possibilitar tais eventos, deixam um legado de destruição.

Pela primeira vez na história do nosso estado e da capital do Rio de Janeiro as três esferas de Poder político – Federal, Estadual e Municipal- estão juntos no que chamam de pacto federativo, com bilhões de recursos da União aplicados no Estado. Isto tinha que significar desenvolvimento dos valores humanos e garantia dos Direitos Sociais. Ao contrário disto, estes bilhões têm servido ao desenvolvimento do capital, da especulação imobiliária e da criminalização da pobreza.

A cidadania está agonizando no Rio de Janeiro!


Todas as conquistas institucionais dos Movimentos sociais ao longo das últimas duas décadas estão sendo varridas para o ralo pela correnteza do “Pacto Federativo”, que empodera o Prefeito Eduardo Paes para que se despeje, remova, altere legislação urbanística a serviço da especulação; empreenda incursões do Choque de Ordem em flagrante atentado ao estado democrático de direito; proceda a mais perversa exclusão espacial criando guetos periféricos; expulse do convívio da classe média e das áreas “valorizadas” os empobrecidos; declare guerra às ocupações organizadas pelo movimento social; persiga o trabalhador informal e realize arbitrariedades contra os moradores em situação de rua.

Estamos vivendo em um Estado de Exceção onde o capital por meio dos governantes e “apoio”de grande parte da mídia, vêm dinamitando O Estado Democrático de Direito e as Instituições Públicas que tenham na sua missão a defesa dos Direitos Sociais.

Para impedir qualquer chance de vitória de suas vítimas no Judiciário o Prefeito Paes reuniu com juízes das varas de Fazenda Pública do Estado, com membros do Ministério Público e com o Presidente do Tribunal, com o motivo (publicado pelos jornais) de informá-los de como se dariam as remoções e desapropriações, e de garantir que não fosse concedida qualquer liminar que buscasse proteger o direito à moradia das comunidades atingidas.

AGORA É A VEZ DA DEFENSORIA PÚBLICA! Não basta para eles impedir decisões judiciais favoráveis aos empobrecidos. Agora buscam impedir o acesso a Justiça!!!!


A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, primeira do Brasil, tem cumprido o papel histórico de vanguarda na sua Organização Institucional em defesa dos direitos dos empobrecidos. Sua atuação vem orientando a criação e organização de Defensorias em vários Estados. A instituição de Defensorias Públicas e a defesa da dignidade humana prescritos na CRFB encontraram eco na DPRJ que reconhecendo o antagonismo entre lucro e vida, tem se aproximado cada vez mais do Art 6° da Constituição e seus Direitos Sociais. Em cumprimento de sua missão aproximou-se das organizações cidadãs de seus assistidos e organizou-se em núcleos de atendimentos especializados em causas coletivas.

Nesta conjuntura de ataque organizado a massa excluída, a Defensoria Pública transformou-se em importante trincheira de resistência do povo em luta por Justiça. Isto a transformou em alvo da tirania.

O slogan que levou o atual Defensor Geral ao Poder – DEFENSORIA PARA OS DEFENSORES – é o retrato de um retrocesso orquestrado. A pessoa certa no lugar certo, na hora certa. Comprometido apenas com as melhorias de carreira e com seus apaniguados cumpre com maestria e truculência a missão de desmonte da Instituição Democrática e de avanço do projeto de exclusão e extermínio em curso no Estado do Rio de Janeiro.

QUEREM IMPEDIR NOSSA DEFESA !!!!


Para merecer o apoio e aplauso do Executivo, o Defensor Geral vem executando o extermínio progressivo dos focos de resistência institucional, que eram o Núcleo de Terras, o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e o Núcleo do Sistema Penitenciário. Ainda, para realizar essas mudanças com mais facilidade, foi preciso minar o projeto de ouvidoria externa, uma luta histórica da sociedade civil, elegendo pessoas internas (!) a instituição, quais sejam dois defensores públicos aposentados.

O ápice desta política se deu na manhã do dia 29 de abril de 2011, quando a sala onde eram feitos os atendimentos do Núcleo de Terras teve sua porta fechada, com a presença de seguranças, com o propósito de impedir o acesso dos Defensores e estagiários àquela dependência, sem que fosse dada qualquer explicação. Até mesmo a guarda municipal foi chamada para tentar retirar os estagiários que questionaram essa decisão, à força! Posteriormente todos os estagiários foram SUMARIAMENTE DEMITIDOS, avisados de tal ato por um telegrama!


A DEFENSORIA PÚBLICA É CONQUISTA DO POVO ORGANIZADO, EM LUTA PERMANENTE POR JUSTIÇA E PELOS DIREITOS SOCIAIS !!!

EXIGIMOS RESPEITO E FORTALECIMENTO DOS NÚCLEOS ESPECIALIZADOS E ELEIÇÃO DECENTE DA OUVIDORIA EXTERNA !!! NÃO AS REMOÇÕES!!! TERRA E MORADIA NÃO É MERCADORIA!!!!


MOVIMENTO NACIONAL DE LUTA PELA MORADIA -MNLM-RJ

Darci Burlandi

Saiu no Globo Domingo: Política na muvuca

26/04/2011

Luis Turiba

Carioca que se preza tem aquela marquinha na pele. Em cima e embaixo. Isso faz parte da cultura da praia. Quanto menor o biquíni, melhor a marquinha. E digamos que isso é um rito quase que político do mulherio do Rio, pouco importando o volume da massa corpórea, a idade, a nacionalidade, o nível social ou econômico. De Ramos ao Leblon o negócio é cultivá-la, pois certamente será usada como objeto de sedução. Noite da última sexta-feira, lua quase cheia de um dia ensolarado de outono. A Lapa fervia. Sem dúvida, é no velho bairro central que hoje pulsa o point mais quente do Rio de Janeiro. Galeras circulam em busca de diversão e arte. Casais de todos os tipos fazem estilo. Gringas e gringos, nórditos ou latinas, nipônicas e argentinas, misturam-se com lúpens, drogados, catadores de latinhas e vendedores de caipivodkas e hot-dogs viralatas. O borburinho levava a crer que o bicho ia pegar. Foi nesse clima de muvuca boêmia com marcas de um verão que teima em não ir embora, que o PSTU carioca, um aglomerado político que prega o socialismo moreno e faz passeatas com uma mini bateria de samba, resolveu dar a luz a um ato de protesto inusitado e, talvez, até inédito. E assim, ao contrário do que pregou FHC no seu artigo-testamento, os caras “cairam pra dentro do povão” e montaram um fuzuê na calçada da Rua Joaquim Silva, Alto da Lapa, bem próximo as escadarias de 10 mil azulejos que leva a Santa Teresa, onde circulam milhares de pessoas. Instalaram ali um pequeno palco com potentes caixas de som, e a dona música reinou até altas horas da madruga: rock paulista, reggea, funk e, como não poderia deixar de ser, muito samba e pagode. Todos sabem que são caros os shows das grandes casas da Lapa – média de 30 reais por pessoa. Assim, o PSTU bancou “de grátis” uma bela noitada. Enquanto militantes sacudiam bandeiras vermelhas, outros faziam inflamados discursos relâmpagos contra o governador Cabral que mandou processar 12 jovens e uma senhora, todos presos numa passeata anti-Obama no mês passado. São acusados de destruição do patrimônio público. Mas os “pstus” juram que foram punks infiltrados que jogaram coquetéis molotovs no consulado norte-americano. Nesse disse-me-disse aconteceu a maldade: a polícia carioca escalpelou os militantes que sairam da cana sem um fio de cabelo na cabeça. A grande atração da manifestação foi o compositor Barbeirinho do Jacarezinho. Ele tem um estilo único e debochado de compor, brincando sempre com as necessidades dos trabalhadores. Catorze de seus sambas foram gravados por Zeca Pagodinho e pelo menos uns 10 por Bezerra da Silva. Lá pelas duas, com o público embalado por biritas coloridas e muita cerva, seus sambas soavam como verdadeiros hinos para aquele povão festivo. Barbeirinho perguntava: “Você sabe o que é caviar?” A massa respondia: “nunca vi, não comi, eu só falar”. O povo ajudou a cantar “Moro numa comunidade carente”, “Dona Esponja”, “Conflito” e outras. O melhor, porém, foi quando ele levou “Pão Careca”, samba que caiu como luva para aquela reunião. A letra diz: “Dona Maria foi a padaria e achou cabelo no pão careca”. Genial. Se FHC estivesse ali por perto sentiria oomo é prazeroso fazer política também com marquinhas e muvucas. Coisas de povão.