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EMPREGO

Juventude e emprego: direito ao futuro

 

Só o futuro socialista pode garantir um futuro digno pra juventude brasileira. O mundo em que vivemos empobrece e passa mais fome a cada dia que passa. A dinâmica das gerações incrementa cada dia mais os índices de miséria, pobreza, exclusão social e desemprego.

Mais de 200 milhões de jovens em todo o mundo vivem na pobreza e 88 milhões são desempregados. Segundo Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), em toda América Latina, cerca de 11 milhões de jovens vivem com 1 dólar por dia e mais de 27 milhões vivem com 2 dólares por dia.

O Brasil é um país marcado pela desigualdade social. A cada 100 brasileiros, 10 detêm 80% da renda nacional. 52 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Nosso país nunca teve uma população jovem tão numerosa quanto nos dias atuais. A base da pirâmide etária dos anos 80 cresceu e com ela, o drama cotidiano da miséria, da pobreza e do desemprego. Os jovens de 18 a 24 anos somam hoje no Brasil cerca de 35 milhões de pessoas. Entre os jovens de 15 a 24 anos, apenas 18 milhões estão empregados. 14 milhões de jovens vivem com renda familiar inferior a meio salário mínimo.

Década de 1990
Os anos 1990 foram marcados pela implementação do projeto neoliberal no Brasil. A concretização disso se deu com a reestruturação produtiva nas indústrias, que combinada com um ritmo muito menor de crescimento da economia, fez a taxa de desemprego avançar a patamares cada vez mais alarmantes.

A taxa de desemprego é calculada pela divisão entre o número de desempregados sobre o número da força total de trabalho. Na medida em que colocamos na divisão uma força de trabalho mais jovem, observamos que a taxa de desemprego amplia. Segundo pesquisa do Dieese realizada na região metropolitana de São Paulo, no ano de 1999, verifica-se que a juventude brasileira do período esteve bastante excluída do mercado de trabalho: 50,5% não tinha emprego.

O que é possível observar também é uma grande disparidade do tempo de procura de emprego entre a população mais jovem e a população mais adulta. Quanto mais jovem, também segundo pesquisa do Dieese, menos tempo de procura de emprego.

No entanto, ao se avaliar o tempo de permanência no último emprego, verificamos que os jovens ocupam os postos de trabalho mais instáveis, ou seja, com cerca de seis a 12 meses de duração.

Essa realidade foi consequência da aplicação profunda da lógica neoliberal, ou seja, a sobreposição dos interesses do mercado às obrigações sociais e políticas do estado. A melhor revelação desse processo é visível pelos processos de privatizações que o governo de FHC realizou durante seus 8 anos de mandato.

A entrega de grandes empresas estatais como a Embraer, a Vale (na época Vale do Rio Doce) e a Petrobras significou uma alteração substancial no quadro de contratações dessas empresas. Na medida em que a maior parte de suas ações é de acionistas privados, a lógica que passa a vigorar fundamentalmente é a lógica da concorrência e, portanto, a busca pela maior redução possível de gastos para colocar tais empresas em um patamar de competitividade significativo no mundo. É por isso que a maior parte dos setores dessas empresas se tornou setores terceirizados, colocados sob responsabilidade de outras empresas, essas agora prestadoras de serviço.

A forma de redução dos gastos veio, portanto significando a diminuição de direitos trabalhistas e isso foi possível através da combinação entre as reestruturações na esfera da produção, e as políticas de estado que reformularam as relações entre as empresas patronais e as representações dos trabalhadores, além da entrega aberta das empresas ao capital estrangeiro.

A consequência dessa combinação foi o crescimento da mão de obra desocupada disponível no mercado, o que deu segurança para as empresas deitarem e rolarem sobre os direitos trabalhistas, de modo que a mão de obra mais jovem pudesse ser a presa mais interessante, pois sua pouca experiência pode ser o subterfúgio da forma precária de contratação e da forma agressiva de exploração.

E nos dias de hoje?
Segundo pesquisa do Professor Márcio Poschman da Unicamp e pesquisador do IPEA, a ampliação do desemprego entre 1995 e 2005 entre os jovens de 15 a 24 anos foi de 107%! O crescimento da população economicamente ativa (PEA) foi de 22,1% e o crescimento de jovens dessa mesma idade empregados foi de 11,1%. Aqui é importante destacar que a PEA é constituída por trabalhadores ocupados e trabalhadores desocupados. Ao realizar uma pesquisa em algumas metrópoles brasileiras no ano de 2005, o DIEESE revelou que, em média, entre os ocupados da PEA, os jovens representam 20,8% e entre os desocupados, os jovens representam 46,4% do total.

Essa estabilidade infelizmente não pode animar a juventude brasileira que tem nessas estatísticas os motivos de seu sofrimento, angústia e impossibilidade de realização. Primeiro porque a estabilidade se dá em um nível muito baixo de participação ativa da juventude no mercado de trabalho, e segundo porque a quantidade da população jovem é muito maior em 2007 do que era em 1992, o que explica o crescimento alarmante da quantidade de jovens desempregados no Brasil.

O desemprego é maior entre os jovens pobres. Segundo pesquisa realizada em 6 capitais brasileiras, revelou-se também que ao jovem de famílias com renda menor é proporcionado menos oportunidades de trabalho, sendo que, em geral, o percentual de desempregados entre os jovens pobres é o dobro do percentual de desempregados entre os jovens ricos.

Entendendo a economia para não nos deixarmos enganar
O Brasil está vivendo um período de crescimento econômico. É necessário entendermos esse crescimento para entendermos as comparações entre os indicadores sociais dos anos 90 e os indicadores sociais dos anos 2000.

Ao final dos anos 1990 e início dos anos 2000, o capitalismo viveu mais uma de suas crises cíclicas de superprodução. Essa crise foi expressa na quebra de alguns países, como a Argentina, e a saída fundamental que o imperialismo encontrou, para escoar a superprodução foi a política de guerras a partir da forte propaganda de “propagação da democracia” no Iraque. Nunca foi segredo pra ninguém que esta guerra foi mais uma forma de dar dinâmica pra um setor importante da economia mundial, a indústria bélica, e também pra entrar na disputa do controle de uma região muito rica em petróleo. Assim, a economia retomou uma dinâmica positiva em escala mundial.

O Brasil surfou na onda desse processo e também teve reflexos na sua economia interna dessa dinâmica positiva e ascendente. Assim, o país se tornou atrativo pro capital estrangeiro, dinâmica essa que por sua vez, também influiu na retomada de índices positivos dos indicadores econômicos. Esse crescimento se combinou com o estouro de uma nova crise econômica internacional, mais precisamente em setembro de 2008, essa agora manifesta nos países centrais da economia mundial, como os Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.

Assim, apesar de países como o Brasil terem vivido fortemente a crise econômica, com demissões em massa como ocorreu na Embraer e com corte de gastos públicos, atingindo principalmente as áreas sociais, também é fato que o Brasil sofreu um impacto menor da crise do que os países centrais da economia mundial. Em contrapartida, também é fato que o “pequeno” impacto da crise no Brasil se desenvolveu na medida em que o Brasil se localiza de forma mais submissa na divisão internacional do trabalho, pois o aparente desenvolvimento forte da economia se dá sob a dependência objetiva dos capitais oriundos das multinacionais.

Toda essa localização é importante, porque parte da atração brasileira em relação ao capital internacional está relacionada à numerosa mão de obra brasileira, sobretudo, a mão de obra excedente, o que proporciona às grandes multinacionais a opção por contratações precárias, pois o grande excedente tenciona os empregados a se submeterem a qualquer forma de exploração.

Essa localização também é importante pra entendermos que apesar das propagandas, a queda na taxa de desemprego nas grandes metrópoles não necessariamente é resultado de políticas de estado que deram certo.

Segundo Anuário dos Trabalhadores do Dieese do ano de 2009, também na região metropolitana de São Paulo, mesma localidade da pesquisa apresentada acima referente ao ano de 1999, a taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos se encontra no patamar de 21%, 8 pontos percentuais abaixo da taxa apresentada em maio de 1999.

Ao se considerar outras capitais, podemos observar que a queda na taxa de desemprego é bastante irrisória (Brasília, por exemplo, que entre 2005 e 2008 caiu 3 pontos percentuais apenas, ou Salvador, com a mesma variação) sobretudo ao se considerar que a população jovem está cada vez maior.

Ocorre que desse período pra cá, o crescimento das oportunidades de emprego não estiveram à altura dos índices de crescimento do país. De 2003 a 2009, as 100 maiores instituições financeiras do país lucraram nada mais nada menos do que 127,8 bilhões de reais (esse índice contabiliza apenas a atividade própria do banco, sem contabilizar ganhos com seguradoras, por exemplo). Este enriquecimento não está nem um pouco combinado com o que foi o crescimento estatístico das oportunidades de emprego para a população em geral e para a população jovem em particular.

Segundo o Anuário dos Trabalhadores do DIEESE de 2009, a maior parte dos empregados da população economicamente ativa, 38,7% mais precisamente, recebe de um a dois salários mínimos, que em valores significa de R$ 510 a R$ 1.020. Ou seja, muito longe do valor que os bancos vêm lucrando sob o governo Lula. Isso sem falar que 29% da PEA recebe até 1 salário mínimo.

Portanto, por mais que na aparência o crescimento econômico signifique mais oportunidades, no conteúdo, o crescimento econômico significa mais disparidade entre o enriquecimento dos grandes banqueiros e empresários e as oportunidades de emprego pra população em geral e uma disparidade ainda maior com as oportunidades de emprego pra população jovem em particular.

Os jovens seguem ocupando os postos de trabalho mais instáveis. Dos mais de 35 milhões de jovens de 18 anos a 24 anos que existem hoje no país, apenas 17% está localizado em empregos formais. Quando essa avaliação é feita pelas regiões, vemos nas regiões Norte e Nordeste uma queda nessa taxa para 14% e 15%, respectivamente.

Os jovens deixam de estudar para trabalhar
Ao se considerar a parcela de jovens de 16 a 24 anos, segundo situação de trabalho e estudo, podemos ver, nas principais capitais brasileiras, com destaque para São Paulo e Belo Horizonte, que a maioria esmagadora dos jovens apenas trabalham (51% e 44% respectivamente). Nas mesmas capitais, apenas 16% combina trabalho com estudo e cerca de 11%, também nas duas capitais apenas estudam e estão em busca de emprego.

Apenas 13% dos jovens brasileiros estão matriculados nas universidades brasileiras e apenas 3% está matriculada nas universidades públicas brasileiras. Esse dado se relaciona com a quantidade de jovens de idade correspondente ao período universitário que estão apenas trabalhando.

Essa realidade demonstra que em geral, o emprego do jovem brasileiro não está relacionado a uma capacitação, a uma atividade de realização individual e social, mas sim relacionada à busca por uma forma de sobrevivência.

A maior parte dos admitidos no ano de 2008, segundo grau de instrução, foram pessoas com ensino médio completo (cerca de 40%), no entanto a maior parte dos desligados, ou seja, dos demitidos, foi de pessoas também com o ensino médio completo (37%), o que evidencia que a forma de trabalho mais acessível é a forma de trabalho mais instável, com menos exigência de capacitação e aptidão.

Mulheres jovens e mercado de trabalho
Neste cenário, há uma combinação cruel que localiza as mulheres jovens na condição de desempregadas e por consequência, dando rosto de mulher às condições miseráveis da população jovem brasileira.

Segundo dados do Dieese, em pesquisa realizada em algumas capitais brasileiras, fica claro que as mulheres jovens sofrem mais ainda com o desemprego.

Também é fato que houve uma ampliação da participação das mulheres no mercado de trabalho, de uma forma geral, entre mulheres jovens e mulheres em idade adulta. No entanto, essa ampliação não se deu com as mesmas condições de trabalho dos homens, tanto que o rendimento mensal médio entre as mulheres é inferior ao rendimento mensal médio dos homens. Enquanto o rendimento mensal dos homens, em São Paulo é de R$ 1.400 o das mulheres é de R$ 1.119.

Ao combinar esses dados com as condições de trabalho da juventude brasileira, percebemos que recai sobre a mulher jovem as proporções mais alarmantes das condições de desemprego e miséria.

O que fez o governo Lula?
Muitos dados que apresentamos demonstram que as transformações que os anos 90 proporcionaram para as condições de vida da juventude brasileira foram no sentido de ampliar o desemprego e a miséria do setor geracional que mais cresce no país. Apesar de toda a propaganda que o governo Lula realiza, os dados mais recentes também demonstram que foram muito poucas as mudanças nessas condições de vida, e a marca da situação da juventude brasileira em relação ao emprego e à renda ainda é uma situação preocupante, que não promove à juventude brasileira atual nenhuma expectativa no futuro.

Já avaliamos as características do impacto da crise econômica no Brasil, mas é importante destacar que o Brasil viveu uma onda importante de demissões nesse período e mais importante destacar que a maior parte dos demitidos eram os trabalhadores jovens, que ocupavam os postos de trabalho mais instáveis.

Também é importante destacar que a Conlutas realizou uma campanha forte para que o governo editasse uma medida provisória, que garantisse estabilidade do emprego da população trabalhadora, de modo que não recaísse sobre os trabalhadores as consequências da crise econômica no Brasil. Infelizmente, o governo Lula priorizou as medidas que estavam relacionadas ao salvamento dos bancos e empresas da falência.

Muitos dados demonstram que não há motivo algum de comemoração para os trabalhadores depois de oito anos de governo Lula. O desemprego segue sendo um drama cotidiano da população brasileira. A garantia de um emprego bom e estável é um sonho distante para o trabalhador brasileiro, particularmente para o trabalhador jovem brasileiro.

A dinâmica de crescimento econômico significa que as alterações positivas nos dados sobre emprego e desemprego se deram muito mais por razões objetivas do que como consequência de políticas de estado. É por isso que ainda há índices iguais ou próximos da época em que o PSDB governava o Brasil, como o tempo médio de procura de trabalho.


Vejamos, agora, os Programas de estímulo ao Emprego que o governo realizou e as consequências desses projetos

Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego
Programa de várias vertentes, e a que mais se manifestou no início da implementação do programa foi a contratação incentivada, com um subsídio estatal de apenas meio salário mínimo e só ao longo do primeiro ano de contratação. Apesar de esta lei não ter sido revogada, hoje esse programa quase não existe e se transformou em uma oferta combinada entre qualificação profissional e prestação de serviços comunitários, todo operado por ONG’s. Não existem dados de alterações substanciais das condições de emprego e desemprego de jovens a partir desse programa.

Programa Nacional de Inclusão de Jovens
O governo baixou 2 Decretos (6.629/08 – programa pró-jovem e 5.598/05 – pró-jovem adolescente rural e urbano) e aprovou uma lei (11.692/08 – regulamentação da contratação de aprendizes) que discorrem sobre iniciativas de contratação de jovens, com o objetivo da qualificação profissional, realizando contratos especiais de até 2 anos de duração. O governo abriu uma linha de credito específica para realização desses programas.

No entanto, os resultados dessas medidas são inteiramente questionáveis, pois ainda não houve, a partir desses programas, uma mudança qualitativa na localização dos jovens no quadro do desemprego brasileiro. Além disso, assim como a Lei do Estágio (Lei 11.788/2008), essas iniciativas se restringem à parcela de jovens que de alguma forma combinam trabalho com estudo, sobretudo o estudo técnico, de onde partem as interações entre empresas e instituições de ensino.

Como vimos, a maior parte dos jovens apenas trabalha e esses postos de trabalho ainda são bastante instáveis o que ajuda a conferir uma presença grande de jovens desocupados na PEA. Outro problema é que há um percentual imenso de jovens que deixam os estudos para trabalhar, portanto, restringir as políticas públicas a combinações entre estudo e trabalho não promove políticas significativas de inserção dos jovens.

Isso sem contar o risco que existe aos jovens de através desses programas, serem localizados em trabalhos precários e descobertos dos direitos trabalhistas. A própria Lei do Estágio tem abertura para realizar esse tipo de contratação, na medida em que estipula a realização de um termo de compromisso por parte da empresa, da instituição de ensino e do empregado, com poucos parâmetros regidos pelo estado, como por exemplo, no valor na remuneração.

As políticas efetivas de estado para combate ao desemprego devem saber enfrentar os períodos de baixo crescimento econômico, porque esse é o diferencial entre uma política consequente no combate ao desemprego, afinal as medidas que se ajustam apenas ao período de crescimento desenvolvem os dados muito mais por uma dinâmica objetiva da economia do que como ação conseqüente do estado, como já dissemos, essa é a raiz dos dados positivos que presenciamos hoje. Por isso também, as medidas do governo Lula são altamente ineficazes pro combate ao desemprego.

Os programas do governo se dispuseram a garantir auxílios financeiros, na forma de bolsas, tentando combinar um estímulo entre a participação dos jovens na vida escolar e sua inserção no mercado de trabalho. Ocorre que em 2008, foram beneficiados 334,2 mil jovens e concedidas 160 mil bolsas. Esses ficaram 27% abaixo da meta prevista para 2007 e a meta inicial desse projeto era de atingir 1,09 milhão de vagas ofertadas em 2010. Ou seja, sequer uma meta muito aquém da necessidade real da população jovem o governo consegue garantir.

O valor das bolsas comparado com o total dos gastos do governo é bastante irrisório e denuncia a pouca disposição do governo Lula de enfrentar o drama do desemprego entre jovens de forma consequente.

É também um valor irrisório o dinheiro investido no “programa social” mais propagandeado pelo governo Lula, o Bolsa Família. Mas questionamos não apenas a escassa quantidade de dinheiro investido, questionamos sobretudo, a lógica do programa. Afinal, porque o governo Lula não optou por enfrentar de forma conseqüente o desemprego? O Bolsa Família é uma medida pra fugir desse enfrentamento que significa o enfrentamento com os lucros das grandes empresas, que deveriam reduzir a jornada de trabalho, sem reduzir os salários, para ampliar a geração de postos de trabalho. Com emprego para todos, o Bolsa Família não seria mais necessário.

A juventude de hoje não vai se aposentar
Desde o governo Collor, a previdência social vem vivendo uma série de ataques que significam cada vez mais exonerar o trabalhador do direito de se aposentar. O governo de FHC iniciou uma Reforma da Previdência instituindo o Fator Previdenciário. Esta medida tem por objetivo desestimular as aposentadorias por tempo de contribuição, pois ela define um fator que ao ser calculado com a idade de aposentadoria define o valor do benefício previdenciário. A justificativa da existência desse fator é garantir que não haja aposentadoria com idades consideradas jovens para se aposentar.

Parte das mudanças na Previdência Social também foi a transformação do critério da aposentadoria, passando do tempo de serviço para o tempo de contribuição. Isto significa que os postos de trabalho descobertos pela previdência social não são contabilizados para a aposentadoria. A Reforma da Previdência de Lula é instituída no setor público, impondo a idade mínima de aposentadoria. Em países como a Grécia e a Espanha, a idade mínima já está estabelecida pro conjunto dos postos de trabalho, seja do setor público, seja do setor privado. Este é o modelo previdenciário pro conjunto dos países, portanto, a possibilidade de se instituir essa medida no Brasil é concreta.

Um jovem que começa a trabalhar hoje, pode achar qualquer tipo de emprego com alguma facilidade. Ocorre que o mais provável é que o contrato que seja mais fácil realizar seja o contrato por tempo determinado, contrato temporário, que na maioria das vezes é descoberto pela previdência social. Dessa forma, os jovens realizam serviços que não serão contabilizados para sua possibilidade de aposentadoria futura.

Junto à tentativa de instituição da idade mínima, há uma tentativa recorrente de ampliação da idade mínima no interior do critério atual, o tempo de contribuição. Ao olharmos a quantidade de postos de trabalho ocupados por jovens e que são descobertos pela previdência social, vemos muito pouca expectativa de um futuro digno para a atual força de trabalho jovem do nosso país.

Os aposentados que realizaram uma campanha importante pelo reajuste de suas aposentadorias e pelo fim do fator previdenciário, obtiveram uma vitória importante no Senado, que foi a votação do reajuste e o fim do fator. No entanto, o governo Lula demonstrou sua irresponsabilidade social e uma tremenda despreocupação com o futuro da juventude ao vetar o fim do fator, apesar de ter mantido o reajuste.

As medidas do governo se apoiam na localização dos jovens nos postos de trabalho mais precarizados. Ao acompanharmos a evolução do trabalho formal entre os jovens, nos anos de 2007 e 2008, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, vemos que a evolução foi bastante tímida (dados do MTE):

  • De 16 a 17 anos: 327.905 (2007) – 359.872 (2008)
  • De 18 a 24 anos: 6.652.692 (2007) – 6.891.002 (2008)

Ao combinar esses dados com as medidas da Reforma da Previdência, em todas as suas etapas, podemos refletir que pelas iniciativas do governo Lula, o futuro da juventude é incerto.

É possível ter emprego e salário digno para todos
A juventude do PSTU apresenta nessas eleições um programa e uma candidatura a serviço dos trabalhadores e jovens. Apresentamos um programa e uma candidatura que enfrente o grande capital, que muito se interessa pelo desemprego da juventude e da classe trabalhadora em geral. Esse enfrentamento deve começar pela redução imediata da jornada de trabalho pra 36 horas, sem redução salarial. Também como medida imediata, para revolucionar as estatísticas e promover uma transformação real na vida dos trabalhadores desempregados, defendemos a realização de um plano de obras públicas, para absorver os milhões de desempregados que o capitalismo deixa existir.

Também defendemos como medida de governo, regulamentar as empresas para que haja a contratação de um percentual mínimo de jovens, para absorver esse setor geracional que é o mais excluído do mercado de trabalho. Também defendemos a ampliação do orçamento educacional para 10% do PIB do país, para que os jovens possam avançar em sua qualificação profissional e ocupar postos de trabalho menos precarizados. É necessário também a garantia de estágios remunerados, com direitos trabalhistas e com garantia de combinar o direito de estudar dos jovens.

Para acabar definitivamente com o desemprego e o trabalho precarizado, é necessário estatizar as grandes empresas sob controle dos trabalhadores e reestatizar as empresas que foram privatizadas, pois dessa forma, a lógica de atuação dessas empresas pode ser baseada na necessidade da população e não na necessidade do lucro dos capitalistas.

O capitalismo não pode garantir a realização plena da juventude
A juventude é um período geracional marcado por sonhos e pela disposição de buscar realizá-los. Nossa juventude nos estimula a enfrentar todo tipo de dificuldade a ser encontrada nesse caminho em busca da felicidade. Ocorre que a capacidade de sonhos da juventude é cada vez mais substituída pelo drama do desemprego, da miséria e da pobreza que descaracterizam um período tão rico do desenvolvimento humano.

Com a realidade do trabalho no capitalismo, muita gente pode acreditar que o trabalho foi feito para destruir o homem. Mas na verdade, é o trabalho, a interação do homem com a natureza, que permite e permitiu ao longo da história os grandes desenvolvimentos da sociedade. O homem tem uma enorme capacidade de transformação da natureza em favor do seu desenvolvimento social. Ocorre que sob um modo de produção capitalista, esse tipo de desenvolvimento se orienta pela necessidade da acumulação.

“Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens”
Dessa forma, a atividade produtiva do homem sai do sentido de sua realização individual e coletiva e toma o rumo de sua alienação com o conjunto da sociedade. Isto significa que ao trabalhador que produz aviões, está muito distante a idéia de andar em algum deles, ou aos trabalhadores que produzem carros, é praticamente impossível se verem dirigindo algum. O capitalismo faz as coisas tomarem forma e essas se tornam altamente estranhas a quem as produziu. Como se não bastasse, a atividade produtiva também significa um martírio, pois não há nenhum sentido social na totalidade do que se produz no capitalismo. Da mesma forma, a relação de um pedreiro que constrói uma universidade com essa própria universidade é uma relação absolutamente estranha, distante, sem significado. Essa é a forma de trabalho no capitalismo.

Nós acreditamos que é possível ser diferente. Nós acreditamos que a capacidade de produção do homem deve estar voltada para a sua realização plena, e essa realização só é possível desenvolver-se no sentido social, na forma da libertação do conjunto da sociedade.

A forma de realização da juventude, em todos os seus aspectos, se dá na luta pela desalienação do trabalho, na luta para que o emprego dos jovens esteja relacionado a um papel social, a um papel na construção de outro tipo de sociedade, na construção de outro tipo de relações humanas, na garantia de vias de realização profissional, artística e cultural. A Juventude do PSTU enfrenta a dureza cotidiana da vida dos jovens brasileiros com essa perspectiva. Com a perspectiva de seguir lutando pelos nossos sonhos, de confrontar o drama cotidiano do desemprego, da miséria e da pobreza com a disposição de transformar e revolucionar essa realidade.

“É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles” (Lenin)

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